Portugal prevê rendimento recorde

Prevê-se um aumento de 40% na produção de azeite quando a colheita começar em outubro. A produção total deverá atingir 140.000 toneladas, contra as 100.000 toneladas do ano passado.

Apesar das condições de seca que afetaram todo o país no último verão, Portugal espera uma produção de azeite quase recorde em 2019.

Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, a Associação Portuguesa do Azeite, afirmou que se espera um aumento de 40% na produção de azeite quando a colheita começar em outubro. A produção total deverá atingir 140.000 toneladas, contra 100.000 toneladas no ano passado.

Se atingirmos esses valores de produção, será uma produção recorde em Portugal. — Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite

O aumento esperado deve-se a “novas e intensivas plantações” na maior e mais meridional região produtora de Portugal, o Alentejo.

“Se atingirmos esses valores de produção, será uma produção recorde em Portugal, a maior desde que existem registros oficiais”, disse Matos. Os registros remontam a 1915. “Esse nível de produção é esperado devido ao alto investimento que tem sido feito neste setor, particularmente na última década”, acrescentou Matos.

Veja também: A nova cara do azeite do Alentejo

Embora existam diferenças climáticas entre o Alentejo, no sul, e a região de Trás-os-Montes, no norte de Portugal, grande parte do país passou por uma estação de cultivo quente e seca. Apesar disso, Matos disse que as oliveiras resistem bem à seca e que “as diferenças [climáticas] deste ano não afetaram significativamente a produção de azeitonas nessas regiões”.

Ramon Rivera, diretor-geral da Elaia, uma parceria que produz azeite principalmente em Portugal, disse que “a floração foi boa e as azeitonas se desenvolveram em quantidade média” nos olivais portugueses da Elaia. Ele concordou que 2019 está se configurando como uma colheita melhor em Portugal do que no ano passado, mesmo que não seja tão boa quanto em outras partes da Europa.

“A época de cultivo em Portugal está a correr melhor do que no ano passado, embora não tão bem quanto as notícias que chegam da Itália ou da Grécia”, disse Rivera. Esses dois países, em particular, tiveram épocas de cultivo historicamente fracas no ano passado.

A Espanha oferece um contraponto interessante a Portugal. Embora os países partilhem a Península Ibérica, é Portugal que parece estar em melhor forma em 2019.

“A Espanha está em contra-ciclo com os principais outros países produtores europeus”, disse Matos. “Na última safra, a Espanha registrou uma campanha muito alta e, pelo que sabemos até o momento, espera-se uma produção de azeite de oliva muito menor na próxima safra.”

Monte dos Valhascos

Rivera acrescentou que os olivais da Elaia na Espanha “terão uma boa safra, embora a Espanha não esteja esperando uma boa campanha devido à falta de chuva e à excelente colheita do ano passado”.

Tanto Rivera quanto Matos afirmaram que não esperam que pragas ou doenças prejudiquem a colheita em Portugal este ano e que, na verdade, as condições de seca estão ajudando a evitar esses obstáculos.

“Se o tempo continuar seco e quente, não se esperam doenças ou pragas graves que afetem negativamente a qualidade e, nessas circunstâncias, a qualidade será elevada”, disse Matos.

Matos disse que o maior obstáculo para os produtores portugueses em 2019 é o mercado. Embora a produção tenha aumentado nos últimos anos — Portugal colherá mais de 100.000 toneladas pelo terceiro ano consecutivo este ano, após cair para 61.000 toneladas e 69.000 toneladas em 2014 e 2016 —, o setor enfrenta vários desafios.

“Assim como em outros países produtores europeus, o principal problema que o setor enfrenta em Portugal são os baixos preços do azeite, que não remuneram suficientemente os produtores, especialmente nas áreas de produção mais tradicionais, com custos de produção mais elevados e menor rentabilidade”, disse Matos.

Matos disse que a colheita começará em todo o país em outubro, o que é típico. Rivera disse que os produtores parceiros da Elaia colherão um pouco “mais cedo do que na última campanha”.