Portugal prevê exportações recordes
Prevê-se que as exportações atinjam 600 milhões de euros — uma forte confirmação do papel cada vez mais importante da produção de azeite na economia nacional.
Uma queda na produção de azeitonas em Portugal não impedirá o crescimento das exportações de azeite, segundo o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.
Lisboa espera que as exportações atinjam 600 milhões de euros em 2020, um aumento em relação aos 518 milhões de euros em 2019 e aos 177 milhões de euros em 2008, de acordo com a TrendEconomy, uma base de dados de comércio internacional.
A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, afirmou que a tendência demonstra o crescimento de um setor “dinâmico” que apresenta “grande vitalidade”.
“Atualmente, Portugal produz 160% do azeite de que necessita”, disse ela. “Isso significa que podemos contar com uma capacidade de exportação muito grande.”
Veja também: Notícias sobre comércioDurante uma visita a um grande produtor de azeite na região de Beja, no Alentejo, a ministra conversou com vários jornalistas locais e destacou como as exportações de azeite desempenharão um papel importante nos esforços do governo para reduzir o déficit comercial.
Isso está a acontecer, disse ela, graças à “grande dinâmica” do setor, demonstrada não só pela “produção competitiva” dos olivais intensivos, mas também pela “produção mais tradicional”.
A relevância do setor, acrescentou a ministra, deve-se à sua capacidade de “conectar as pessoas aos territórios”, não apenas na produção de azeite, mas também nos “setores relacionados, como o turismo e a gastronomia”.
Além disso, o governo espera que as exportações cresçam este ano, apesar de uma queda na produção na colheita de azeitonas de 2020/21.
De acordo com as estimativas mais recentes da Associação Alentejana do Azeite (Olivum), a produção atingirá 100.000 toneladas este ano. Na campanha de 2019/20, Portugal produziu um recorde de 140.000 toneladas, um número que a Olivum atribuiu em grande parte ao forte investimento do país na colheita mecanizada e nos olivais de densidade superalta.
Gonçalo de Almeida Simões, diretor executivo da Olivum, disse à agência de notícias local LUSA que o Alentejo, a região produtora mais importante de Portugal, terá uma produção de 75.000 toneladas, abaixo das 100.000 toneladas produzidas no ano anterior. O Alentejo, que compreende quase 30% da área territorial de Portugal, é responsável por cerca de 75% da produção de azeitonas do país.
Esses números, acrescentou de Almeida Simões, “não são uma surpresa para o setor”, já que muitos dos produtores do país estavam entrando em um ano de baixa produção.
De acordo com a Olivum, a queda esperada na produção será compensada pela alta qualidade da safra deste ano.
“Será uma boa colheita”, disse de Almeida Simões. “Esperamos que 95% do azeite produzido em Portugal seja azeite virgem e extravirgem.”
Essa é uma boa notícia, acrescentou ele, já que o consumo de azeite “está crescendo 7% em todo o mundo este ano”.
Portugal vem investindo na modernização do setor olivícola nos últimos 20 anos, a fim de acompanhar o ritmo da crescente concorrência internacional.
De Almeida Simões destacou que as empresas de azeite no país são, em sua maioria, de propriedade de empresários portugueses que conseguiram atrair investimentos estrangeiros consideráveis, desde países vizinhos como a Espanha até nações distantes como a Arábia Saudita e o Chile.
Durante sua visita a Beja, do Céu Antunes também destacou os esforços do governo para integrar diferentes setores a fim de ajudar a modernizar e ampliar a produção de azeite do país.
“Estamos trabalhando com os produtores, as universidades e as escolas politécnicas para oferecer-lhes apoio e informações que demonstrem a vitalidade do setor do azeite e sua contribuição para a valorização social, os estímulos econômicos e a preservação do meio ambiente”, afirmou.