O consumo de azeite extravirgem na Itália aumentou em 2020, enquanto a produção diminuiu

O consumo registrou um ligeiro aumento em 2020, segundo um grupo do setor, uma vez que a produção na safra 2020/21 acabou sendo inferior às estimativas iniciais.

O consumo de azeite extravirgem italiano cresceu cerca de 6% em 2020, de acordo com um relatório da Associação Italiana da Indústria do Azeite (Assitol).

Dois terços dos italianos afirmaram acreditar que o azeite extravirgem é um produto de alta qualidade com sabor excepcional, segundo o relatório. Sessenta por cento compram o produto porque sabem que é saudável.

Os consumidores evoluíram, procuram um produto de qualidade, leem os rótulos e sabem o que procuram. Não se limitam a um único produto, mas variam de um tipo para outro.– Anna Cane, presidente da Assitol

O relatório da Assitol também constatou que o consumidor médio comprou 9% mais azeite de oliva em 2020 do que no ano anterior, atingindo 11,5 litros per capita.

De acordo com o grupo do setor, esses números mostram a diferença marcante na forma como as gerações mais jovens consomem azeite de oliva extravirgem.

Mais especificamente, os consumidores com menos de 40 anos estavam mais interessados em saber a proveniência dos azeites que compravam e, frequentemente, adquiriam seu azeite de pequenos ou médios produtores.

Os consumidores mais velhos tendem a confiar em marcas mais estabelecidas.

A Assitol atribuiu parcialmente essa mudança no comportamento do consumidor à crescente valorização da cultura do azeite de oliva entre os italianos.

As principais marcas começaram a se concentrar no mercado de azeite extravirgem na década de 1980. Quando as pesquisas sobre os benefícios do azeite para a saúde se intensificaram na década de 1990, mais produtores passaram a diferenciar seus produtos.

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“Hoje, nas prateleiras, encontramos muitos produtos diferentes: 100% italiano, europeu, DOP/IGP, orgânico, filtrado, não filtrado, sustentável”, disse Anna Cane, presidente da Assitol.

“Os consumidores evoluíram; eles buscam um produto de qualidade, leem os rótulos e sabem o que estão procurando”, acrescentou ela. “Eles não se limitam a um único produto, mas variam de um tipo para outro.”

Segundo Cane, o crescente interesse pelo azeite extravirgem entre os jovens consumidores vai muito além das fronteiras italianas, citando os Estados Unidos como um exemplo de destaque.

“Isso é uma boa notícia”, disse Cane. “Aqueles que começam a consumir este produto em uma idade mais jovem fazem uma escolha alimentar saudável que nos dá esperança de um futuro promissor.”

No entanto, à medida que o consumo de azeite cresce, a produção italiana não seguiu a mesma tendência.

Os últimos resultados divulgados pela Assitol revelaram que o padrão de produção diametralmente oposto deve continuar. O sul do país enfrentou quedas acentuadas, enquanto as regiões central e norte registraram crescimento.

Em seu balanço final da safra, a Assitol informou que a Itália produziu 250 mil toneladas de azeite de oliva em 2020/21, uma queda em relação às 336 mil toneladas produzidas no ano anterior e um pouco abaixo das estimativas anteriores.

A Puglia, responsável por quase metade da produção total da Itália, sofreu uma queda de 50% na produção. Situações semelhantes foram observadas na Sicília e na Calábria.

Os aumentos na produção na Toscana, Umbria e Marche compensaram ligeiramente as quedas significativas no sul do país.

De acordo com a Assitol, eventos climáticos extremos contribuíram para a diminuição da qualidade, especificamente para as misturas frequentemente produzidas pelas maiores marcas, compostas por azeites de várias origens e adaptadas às preferências de sabor dos consumidores.

“As empresas enfrentaram mais dificuldades na pesquisa e seleção de matéria-prima de alta qualidade, cujos custos de produção este ano são ainda mais elevados do que antes”, afirmou Andrea Carrassi, diretor-geral da Assitol.