Projeto de biodiversidade se expande para além da Espanha
Mais de 750 olivicultores do Mediterrâneo, de quatro países, se inscreveram para participar do projeto Olivares Vivos, que conseguiu aumentar a biodiversidade nos olivais da Andaluzia.
O novo projeto LIFE Olivares Vivos+, que visa reduzir o impacto ambiental do cultivo da oliveira e, ao mesmo tempo, aumentar os lucros dos agricultores, será expandido para além da Espanha, abrangendo as principais regiões olivícolas da Itália, Grécia e Portugal.
Apresentado na sede do Conselho Oleícola Internacional, em Madri, o projeto terá duração deste ano até 2026.
Veja também: Intensificação agrícola prejudica a produtividade dos olivaisA versão anterior decorreu de 2015 a 2020 e revelou aumentos significativos na biodiversidade, a par de uma redução média de 22% nos gastos com fertilizantes e produtos fitossanitários e nos pagamentos aos agricultores, graças às numerosas iniciativas ambientais da nova Política Agrícola Comum.
O modelo Olivares Vivos baseia-se em pesquisas realizadas pelo departamento de ecologia da Universidade de Jaén em conjunto com a Estação Experimental de Zonas Áridas do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha.
Essa pesquisa mediu a biodiversidade em 40 olivais na Andaluzia antes e depois da introdução de medidas de recuperação da vida selvagem.
O estudo confirmou que, três anos após a implementação do projeto, o número de espécies de aves, formigas, abelhas e plantas aumentou de 7% a 12% nos olivais participantes, e a abundância dessas espécies cresceu 40%. A médio prazo, espera-se uma recuperação adicional de 25%.
No total, foram encontradas 180 espécies de aves, 60 espécies de formigas, 200 tipos de abelhas silvestres e mais de 750 variedades de plantas nos olivais estudados, incluindo uma planta até então desconhecida pela ciência, a Linaria Qartobensis, uma espécie endêmica rara que tem sido chamada de “joia da flora andaluza”.
Nesta nova fase, o Projeto LIFE buscará ampliar e replicar esse modelo na Espanha, por meio de fazendas de demonstração e cursos de capacitação para agricultores, nas comunidades autônomas da Andaluzia, Extremadura, Madri, Castela-La Mancha, Valência e Catalunha.
Será dada atenção especial ao impacto que as mudanças climáticas podem ter sobre o modelo, particularmente nos olivais localizados nas áreas semiáridas das províncias andaluzas de Almeria e Granada.
Mais significativamente, ele também será introduzido na região do Alentejo, em Portugal; nas regiões da Toscana e da Apúlia, na Itália; e tanto no Peloponeso quanto em Creta, na Grécia.
“O olival é a cultura mais importante para a conservação da vida selvagem na Europa”, afirmou Asunción Ruiz, diretora executiva da SEO/BirdLife, uma das organizações envolvidas no projeto. “O fato de o Olivares Vivos+ estar acelerando sua expansão nas principais regiões olivícolas da bacia do Mediterrâneo, um hotspot de biodiversidade, representa um compromisso global para recuperar o vínculo entre a agricultura e a natureza, mantendo os interesses dos agricultores como base.”
Nos próximos anos, o objetivo do projeto é aplicar seus resultados a outras culturas, como videiras, amendoeiras e citrinos.
“Estamos convencidos de que essa extensão será o passo definitivo para consolidar o Olivares Vivos como referência, conquistando mais aliados e consolidando na Europa um modelo de agricultura em harmonia com a vida”, afirmou Ruiz.
Muitas das medidas individuais que constituem a espinha dorsal do modelo são surpreendentemente simples. Elas incluem o manejo da cobertura herbácea, a restauração das chamadas “áreas improdutivas” nos olivais, como ravinas, riachos, trilhas e muros; a reintrodução de espécies nativas não cultivadas e a instalação de infraestruturas de apoio à fauna, como lagoas, caixas-ninho e postes de cercas.
Graças ao envolvimento de fundações beneficentes, um número substancial dessas atividades tem sido apoiado por voluntários que trabalham ao lado dos agricultores participantes do projeto.
Até o momento, mais de 750 agricultores se inscreveram para participar desta nova etapa, e 68 áreas assinaram um manifesto comprometendo-se a vincular o futuro de sua produção de azeite ao futuro da biodiversidade local.