Nova pesquisa reforça a relação entre os polifenóis do azeite de oliva e a saúde cardiovascular

Um novo estudo mostra que os azeites extravirgens ricos em polifenóis podem oferecer maiores benefícios cardiovasculares do que as variedades com baixo teor de polifenóis, melhorando os perfis de colesterol e a função cardíaca.

Uma nova pesquisa mostra que o consumo de azeite de oliva extravirgem rico em polifenóis pode trazer benefícios cardiovasculares mais significativos do que as variedades com baixo teor de polifenóis.

O estudo, publicado na revista Nutrients, investigou o impacto da concentração de compostos fenólicos no azeite sobre os lipídios sanguíneos e outros marcadores cardiovasculares. Pesquisas anteriores sobre a dieta mediterrânea ou os efeitos do azeite de oliva na saúde muitas vezes não isolaram esse fator específico, observaram os autores.

Os dados apoiam de forma consistente uma associação moderada, mas significativa, entre o consumo diário de azeite extravirgem e melhores resultados cardiovasculares. — George Moschonis, Universidade La Trobe, Austrália

Nem todos os azeites são iguais. O azeite extravirgem retém altas concentrações de polifenóis, e esses compostos são responsáveis pela maior parte de seus benefícios cardiovasculares”, disse George Moschonis, professor do Departamento de Dietética, Nutrição e Esporte da Universidade La Trobe, na Austrália, que não participou do estudo.

De acordo com Moschonis, evidências anteriores mostram de forma consistente que “o azeite extravirgem com alto teor de fenólicos produz efeitos superiores na função endotelial, na atividade do HDL e até mesmo pequenas reduções na pressão arterial em comparação com variedades com baixo teor de fenólicos ou refinadas.”

A atividade da lipoproteína de alta densidade (HDL) — frequentemente chamada de colesterol bom” — reflete seu papel protetor na remoção de gorduras nocivas da corrente sanguínea e é um indicador melhor da saúde cardíaca do que apenas os níveis de HDL.

O novo estudo envolveu dois azeites extravirgens da mesma variedade, Koroneiki, que diferiam significativamente na concentração de compostos fenólicos. O estudo acompanhou 50 pacientes com hiperlipidemia — caracterizada por níveis elevados de colesterol e lipídios no sangue que aumentam o risco de doenças cardiovasculares e aterosclerose — e 20 participantes saudáveis do grupo de controle, pareados por idade e sexo.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de intervenção. Um consumiu 20 gramas por dia de um óleo com menor teor de fenólicos (414 mg/kg de fenólicos), enquanto o outro consumiu 8 gramas por dia de um óleo com maior teor de fenólicos (1.021 mg/kg). Ambos os grupos receberam aproximadamente 8,3 miligramas de polifenóis por dia, permitindo aos pesquisadores isolar o impacto da concentração de fenólicos em vez da ingestão total.

Os azeites foram armazenados em garrafas de vidro escuro a temperaturas controladas para preservar o conteúdo fenólico ao longo do estudo de quatro semanas. Os participantes consumiram o azeite todas as manhãs com o estômago vazio para garantir uma absorção consistente.

Os participantes mantiveram suas dietas e medicações habituais para minimizar fatores de confusão e evitaram outras fontes de polifenóis, como suplementos, chás e alimentos ricos em antioxidantes.

Os pesquisadores mediram as alterações no colesterol total, nos triglicerídeos e na lipoproteína (a) — ou Lp(a) —, uma partícula transportadora de gordura associada ao acúmulo de placa nas artérias. Eles também monitoraram os níveis de ApoA1 e ApoB, proteínas associadas à atividade do HDL e do LDL (“colesterol ruim”).

Os resultados mostraram que o consumo de azeite de oliva extravirgem melhorou os perfis lipídicos em pacientes hiperlipidêmicos em comparação com controles saudáveis. O grupo que consumiu azeite com alto teor de fenólicos apresentou uma redução significativamente maior no colesterol total, com uma média de aproximadamente 17 mg/dL a menos, com uma interação tempo-grupo estatisticamente significativa (p = 0,045).

Os níveis de colesterol HDL aumentaram, enquanto a Lp(a) diminuiu, indicando uma melhor proteção cardiovascular. Esses benefícios foram mais pronunciados entre os participantes com colesterol alto. Outros parâmetros, incluindo ApoA1 e ApoB, mostraram uma tendência positiva, mas não alcançaram significância estatística.

O estudo relatou 100% de adesão e nenhum efeito adverso, sugerindo que o azeite de oliva extravirgem pode ser uma adição prática e segura à dieta para o apoio cardiovascular. Os autores concluíram que a concentração de fenólicos — e não simplesmente a quantidade de azeite consumida — parece ser fundamental para as propriedades benéficas do azeite de oliva para a saúde cardíaca.

Com base nas evidências atuais, os dados apoiam consistentemente uma associação moderada, mas significativa, entre o consumo diário de azeite de oliva extravirgem e melhores resultados cardiovasculares”, disse Moschonis.

“O azeite extravirgem pode ser considerado um alimento que contribui para a prevenção cardiovascular, especialmente quando integrado a um padrão alimentar saudável, como a dieta mediterrânea”, acrescentou ele. Mesmo meia colher de sopa por dia, cerca de oito gramas, tem sido associada a um risco 14% menor de doenças cardiovasculares e a um risco 18% menor de doença cardíaca coronariana.

De acordo com Moschonis, o azeite de oliva extra-virgem, excepcionalmente rico em polifenóis, deve ser a gordura culinária padrão, especialmente como substituto das gorduras saturadas. O objetivo mais amplo deve continuar sendo uma dieta equilibrada, rica em gorduras insaturadas e alimentos vegetais”, disse ele.

Os pesquisadores enfatizaram que, embora muito tenha sido descoberto sobre os benefícios do azeite de oliva extravirgem, muitos de seus centenas de compostos polifenólicos ainda precisam ser estudados. Esses antioxidantes naturais e agentes anti-inflamatórios não apenas promovem a saúde, mas também contribuem para o sabor e aroma característicos dos azeites de alta qualidade.

“Pesquisas futuras devem identificar e investigar os compostos fenólicos específicos que apresentam os maiores benefícios à saúde”, disse Moschonis. Ele também enfatizou a importância da educação na promoção da cultura do azeite, observando que, em muitas regiões fora do Mediterrâneo, ela ainda é pouco conhecida.

Devemos explorar maneiras de tornar o azeite extravirgem mais aceito em dietas não mediterrâneas, possivelmente por meio da educação e da adaptação sensorial”, concluiu.