A UNESCO ainda pode conceder o status de patrimônio às oliveiras da Andaluzia

Na Espanha, instituições locais e nacionais, bem como todo o setor local do azeite, se reuniram para retomar a prestigiosa candidatura dos olivais andaluzes à UNESCO.

A comissão responsável pela promoção das Paisagens de Olivais da Andaluzia reuniu-se para resolver um impasse burocrático surgido na semana passada. A comissão vem tentando inscrever os olivais no Patrimônio Mundial da UNESCO.

Oliveiros, associações, universidades, organizações culturais e autoridades regionais e nacionais estão tentando determinar se a candidatura à UNESCO pode avançar sem que os olivais sejam incluídos no catálogo do Patrimônio Histórico da Andaluzia.

Atualmente, a inclusão no catálogo é considerada uma das etapas necessárias para apoiar a candidatura, sobre a qual a UNESCO deverá votar em algum momento do próximo ano.

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A filial andaluza da Associação de Jovens Agricultores (ASAJA), a Coordenação de Agricultores e Pecuaristas (COAG) e as cooperativas agroalimentares alertaram que a inclusão das olivais no catálogo andaluz exigiria um novo marco legal. Esse quadro, na opinião deles, limitaria a livre iniciativa e a capacidade dos agricultores de conduzir seus negócios.

Muitas novas restrições entrarão em vigor se os olivais forem incluídos no catálogo andaluz. Entre elas estão o registro do local listado no cadastro de imóveis; a obrigação de preservar, manter, garantir e salvaguardar o local listado; projetos de conservação obrigatórios; o direito do Ministério da Cultura de realizar inspeções; a exigência de evitar a contaminação visual e perceptiva da paisagem; e a obrigação dos agricultores de notificar o Ministério competente após a conclusão de qualquer projeto ou intervenção.

Segundo as três associações, os olivais afetados são propriedades “cuja boa gestão privada por parte dos agricultores não só permite sua sobrevivência, mas também constitui a base da economia de todo um setor agroalimentar que, por sua vez, é a principal fonte de riqueza e emprego para mais de 400 municípios na Andaluzia”.

Além disso, as três associações destacaram que apoiaram a candidatura à UNESCO desde que foi proposta em 2017. Elas continuarão a apoiá-la se a inclusão no catálogo andaluz ou suas implicações forem evitadas.

Conforme noticiado pelo Viva Jaén, durante a reunião online, que foi motivada pelas objeções dos agricultores, o vice-ministro da Cultura da Espanha, Ángel Vera, confirmou que o Ministério da Cultura e a Junta da Andaluzia se pronunciariam em breve sobre a remoção da exigência de que as fazendas fossem incluídas no catálogo andaluz.

“Caso isso ocorra, uma das principais reivindicações do recurso apresentado pelas organizações agrárias seria atendida, e os agricultores teriam garantida a compatibilidade da proteção desse patrimônio cultural com os usos das propriedades rurais e o direito à propriedade”, afirmou Vera, conforme noticiado pelo Viva Jaén.

Segundo Francisco Casero, presidente da Fundação Nacional Savia, dedicada a valorizar as áreas rurais, a retirada da candidatura dos olivais à UNESCO representaria um “erro histórico”.

Em entrevista ao El País, ele observou que “não se pode jogar fora oito anos de trabalho para valorizar uma paisagem cultural com 180 milhões de árvores que é única no mundo”.

“A integração das oliveiras na paisagem, as diversas paisagens onde as oliveiras crescem, além da economia e do estilo de vida das populações ao longo da história, levaram ao acúmulo de uma riqueza cultural e a uma série de indícios de que esta árvore, seu fruto (a azeitona) e seu azeite estão entre as características definidoras da paisagem”, cita uma nota da UNESCO, detalhando a candidatura.

Caso a candidatura à UNESCO seja bem-sucedida, os olivais andaluzes se tornariam o 49º Patrimônio Mundial da Espanha.