Itália destina 20 milhões de euros para a compra de azeite extravirgem local para famílias carentes
A medida surge depois que uma iniciativa anterior para fornecer azeite de oliva extravirgem a famílias afetadas pela pandemia da Covid-19 gerou polêmica, com os agricultores alegando que a iniciativa favorecia os azeites importados em detrimento dos italianos.
O azeite extravirgem será em breve incluído nos pacotes de ajuda que estão sendo distribuídos às famílias carentes e àquelas mais afetadas pela pandemia da Covid-19.
A ministra da Agricultura da Itália, Teresa Bellanova, confirmou que € 20 milhões (US$ 23,6 milhões) serão destinados à compra de “azeite extravirgem 100% italiano” para o projeto.
Veja também: Atualizações sobre a Covid-19O azeite extravirgem será adquirido por meio de licitações públicas. Uma ampla rede de voluntários e cuidadores distribuirá então os pacotes de ajuda, que também incluem outros alimentos essenciais, às pessoas necessitadas.
Durante uma sessão recente no Parlamento italiano, Bellanova enfatizou que o fundo de emergência para ajuda alimentar, como um todo, totaliza 300 milhões de euros (354 milhões de dólares).
Bellanova acrescentou que a cadeia alimentar do azeite vem enfrentando vários desafios importantes e que o fundo também ajudará o setor a superar esses tempos difíceis. Ela disse que o dinheiro também será gasto para “evitar o desperdício de alimentos” e apoiar redes de voluntários locais.
Durante a sessão, a ministra italiana também abordou uma acirrada controvérsia, que eclodiu na semana passada em relação a uma licitação separada de € 8 milhões (US$ 9,4 milhões) para a compra de azeite de oliva extravirgem para famílias carentes.
Os termos da licitação da Agência de Pagamentos Agrícolas (AGEA) não especificam que os azeites devam ser de origem italiana. Além disso, o preço estabelecido pela licitação é de € 3,20 (US$ 3,77) por litro, o que muitos produtores italianos de azeite consideram muito baixo.
“Os produtores italianos de azeite estão sendo prejudicados pelo Estado, que gasta 8 milhões de euros em um azeite que certamente não será italiano, pois não existe azeite extravirgem italiano que custe menos de 3,20 euros por litro”, afirmou Onofrio Spagnoletti Zauli, da associação Restart.
No entanto, essa afirmação foi rejeitada por Bellanova.
“Esse edital decorre dos critérios impostos pela regulamentação europeia”, disse ela. “Esses termos exigem que o azeite extravirgem seja produzido a partir de azeitonas cultivadas, prensadas e embaladas dentro da União Europeia. Isso se deve ao fato de que esses recursos provêm do FEAD [Fundo Europeu de Ajuda aos Mais Carentes].”