Loja em Lisboa apresenta os melhores azeites de Portugal

A busca por azeite de oliva português de alta qualidade levou Ricardo Faria a abrir a primeira loja especializada de Portugal.

Os apreciadores de azeite sabem que o supermercado talvez não seja o melhor lugar para procurar azeite de alta qualidade. Mesmo em países produtores de azeite, as prateleiras costumam estar repletas de marcas de grande consumo, algumas das quais podem nem mesmo ser extravirgens, apesar do que dizem seus rótulos.

Gosto de proporcionar a eles a experiência sensorial. Usando um copo, eles podem primeiro sentir o aroma do azeite e já determinar se é bom ou ruim com esse importante primeiro passo. — Ricardo Faria, Loa – The Olive Oil World

Isso é algo que Ricardo Faria quis resolver ao abrir a Loa – The Olive Oil World, uma loja especializada em Lisboa onde ele oferece alguns dos melhores azeites de Portugal.

Dispostos ordenadamente em prateleiras de madeira, encontram-se cerca de 35 azeites das regiões com DOP — Norte Alentejano, Alentejo Interior, Trás-os-Montes, Beira Interior, Ribatejo e Moura — de diferentes variedades e perfis de sabor, que vão do suave, doce e delicado ao intenso, picante e amargo.

Antes de ingressar no ramo do varejo, Faria havia trabalhado como engenheiro civil por dez anos, quando decidiu que era hora de mudar. Sua ideia de abrir uma loja especializada em azeite foi inspirada pela oliveira que crescia em seu pequeno jardim e por sua própria busca por um azeite de alta qualidade que pudesse desfrutar em sua cozinha.

“Existem tantas lojas de vinho em Portugal, mas nenhuma especializada em azeite”, disse ele ao Olive Oil Times. “No entanto, Portugal tem uma grande tradição e muitos azeites excelentes a oferecer. Mas, como consumidor, eu achava difícil encontrar os bons. Havia apenas o que está disponível no supermercado, que é, em sua maioria, de baixa qualidade.”

Outro problema que ele identificou foi a falta de informação para os consumidores, o que torna a compra de um azeite de qualidade um desafio. “Nos supermercados, você não encontra detalhes sobre a época da colheita na garrafa. E mesmo que esteja rotulado como extravirgem, isso não significa que seja de boa qualidade. Além disso, é claro, não dá para provar o azeite antes de comprá-lo. Por isso, é difícil fazer uma boa escolha e a confiança do consumidor é baixa.”

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Quando abriu as portas da Loa em abril de 2017, Faria já havia feito um teste vendendo azeites portugueses de qualidade pela internet. Mas logo percebeu que uma loja online não era a melhor maneira de comercializar e vender azeite. “O problema com a loja online era que ela tinha limitações: as pessoas não tinham a oportunidade de provar o azeite e apreciá-lo”, disse ele sobre a experiência. “É um produto difícil de vender e, se não puderem prová-lo, não vão comprá-lo.” Sem falar nos custos de envio.

Para escolher os azeites que iria estocar em sua loja, ele decidiu fazer um curso de avaliação sensorial. O que era um grande interesse por azeite rapidamente se transformou em paixão e no desejo de compartilhar seu conhecimento recém-adquirido.

“Fiz o curso de três níveis em avaliação sensorial oferecido pelo Instituto de Agronomia, aqui em Lisboa, com o especialista em azeite José Gouveia”, explicou ele. “Ele é um professor aposentado que agora ministra workshops e coordena um painel de degustação. E agora é um visitante assíduo da minha loja.”

“É claro que só escolho azeites de excelente qualidade”, acrescentou. “Não me sinto necessariamente atraído por vencedores de prêmios, pois nem todos os produtores participam de concursos. Tenho azeites de produtores com uma produção muito pequena, talvez apenas 100 litros por ano, mas a qualidade é excelente. Esses passam despercebidos, mas são uma delícia. Tenho alguns azeites exclusivos que só estão disponíveis na minha loja. Também procuro escolher boas embalagens, pois isso também é importante para o consumidor.”

Atualmente, a Loa comercializa onze marcas premiadas no Concurso Mundial de Azeite NYIOOC 2019, de acordo com o novo aplicativo localizador de lojas do Guia Oficial dos Melhores Azeites do Mundo.

Os visitantes da Loa podem provar os azeites antes de fazer uma escolha por meio de uma degustação guiada conduzida pelo próprio Faria. Ele percebe que a maioria das pessoas que vem à loja espera provar o azeite com pão. Embora tenha alguns disponíveis para esse fim, ele incentiva seus clientes a prová-lo “puro” em um copo, como os degustadores profissionais.

“Adoro falar sobre azeite e gosto de ver as pessoas apreciando-o”, diz ele. “Explico que a degustação de azeite é semelhante à degustação de vinho. Gosto de proporcionar a elas essa experiência sensorial. Ao usar um copo, elas podem primeiro sentir o aroma do azeite e já determinar se ele é bom ou ruim com esse importante primeiro passo.”

A missão de Faria não é apenas oferecer uma seleção cuidadosamente escolhida por especialistas de alguns dos melhores azeites de Portugal, mas também apresentar aos seus clientes o mundo do azeite e ensinar-lhes alguns conceitos básicos. Isso inclui não apenas informações gerais sobre como o azeite é produzido e o que torna um azeite “extra-virgem”, mas também outras dicas mais práticas: como ler os rótulos, como cozinhar com ele e como armazená-lo em casa.

A wooden display shelves filled with various olive oil products and jars, with a counter featuring the logo "LUA."

Faria faz questão de dizer aos seus clientes que o azeite é melhor quando está fresco e deve ser consumido o mais rápido possível. “Isso é algo muito importante que a maioria das pessoas não sabe. Elas acham que o azeite não tem prazo de validade. Sempre tenho o azeite mais fresco disponível na minha loja. Os azeites da safra 2019/2020 já começaram a chegar.”

Quando questionado sobre quais variedades e perfis de sabor costumam ser mais populares entre seus clientes, ele respondeu que isso pode variar bastante. “Quem não conhece azeite de oliva geralmente gosta dos mais suaves, porque aprecia a sensação adocicada. Os degustadores experientes preferem os azeites mais intensos. Há opções para todos os gostos. Mas os azeites suaves tendem a vender mais.”

Embora Faria adquira a maior parte dos azeites por conta própria, ele também recebe amostras de produtores locais e faz questão de dar feedback a eles.

“Agora os produtores vêm até mim e me enviam amostras”, disse ele. “Recebo azeites bons, ruins, um pouco de tudo. Tento dar feedback aos produtores que me enviam amostras que não podem ser rotuladas como extravirgem. Converso com eles e tento descobrir onde está o problema para que possam melhorar. Nem todos estão abertos a feedback. A realidade é que alguns produtores herdaram oliveiras, mas não sabem muito sobre o processo correto para produzir azeite de qualidade. Tento orientá-los.”

Portugal é o quarto maior produtor de azeite da União Europeia, atrás da Espanha, Itália e Grécia. Com mais de 20 variedades nativas, como Galega, Carrasquenha, Cobrançosa, Cordovil, Maçanilha Algarvia, Verdeal e Madural, elas representam uma variedade de perfis de sabor.

“O azeite português pode ser frutado, mas também temos azeites mais suaves e adocicados, com notas de maçã, tomate e abacate; outros apresentam um perfil mais herbáceo, com notas de casca de banana, rúcula e alcachofra”, contou-nos Faria.

“É importante manter nossa identidade”, acrescentou ele. “É por isso que devemos valorizar nossas variedades portuguesas e preservá-las.”