Novo banco se prepara para leiloar fazendas abandonadas na Itália

Quase 25.000 acres de terras públicas abandonadas serão leiloados para uma nova geração de empreendedores agrícolas e agricultores.

Dez mil hectares (quase 25.000 acres) de terras agrícolas serão leiloados nas próximas semanas na Itália, por um banco recém-criado.

O Banco das Terras administrará a venda de antigas fazendas, olivais abandonados, campos de trigo e terras agrícolas institucionais não utilizadas.

A maioria dessas terras está localizada nas regiões de Basilicata, Sicília e Puglia. Vai ser um verdadeiro desafio para os compradores da região reunir dinheiro suficiente para participar. — Armando Maiorana, jovem agricultor

A iniciativa tem sido descrita como um esforço financeiro e agrícola destinado a atrair as gerações mais jovens para a agricultura e a incentivar a participação de mulheres agricultoras.

A ideia é arrecadar cerca de € 130 milhões (US$ 141 milhões) com os leilões e usar esse dinheiro para ajudar as novas fazendas a iniciar suas operações, de acordo com a Ismea, a principal instituição pública italiana dedicada ao mercado agrícola. O dinheiro arrecadado com as vendas será inteiramente dedicado ao financiamento do desenvolvimento de novos projetos agrícolas.

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Um dos objetivos da Ismea é criar empresas agrícolas maiores e, possivelmente, mais fortes. Em média, os novos lotes agrícolas, pomares e campos terão uma área de 26 hectares (64 acres) — três vezes a área média atual de 8,4 hectares (20 acres).

O sucesso da iniciativa não será fácil, alertaram os agricultores.

“Analisando as ofertas em jogo, os maiores leilões estão localizados no sul da Itália”, disse o agricultor italiano Armando Maiorana ao Olive Oil Times. “A maioria dessas terras fica nas regiões da Basilicata, Sicília e Puglia. Será um verdadeiro desafio para os compradores dessas regiões reunir dinheiro suficiente para participar.”

Os obstáculos habituais e conhecidos para reunir capital de investimento nessas regiões devem ser superados, esperam os proponentes, pelo alcance e pelos meios da iniciativa.

Embora as vendas estejam abertas a qualquer pessoa, alguns compradores poderão ter acesso a hipotecas subsidiadas que cobrirão os custos de compra em até 100%.

Incentivos fiscais para pelo menos os dois primeiros anos de operação também foram anunciados para os novos agricultores pela ministra da Agricultura, Teresa Bellanova.

A iniciativa é o terceiro leilão desse tipo realizado pela Ismea, mas este é, de longe, o maior.

Raffaele Borriello, diretor da Ismea, explicou que muitas fazendas à venda “estão prontas para gerar lucro. Algumas têm recursos e estão em condições que facilitarão aos novos agricultores o acesso ao mercado”.

Embora a restauração de fazendas antigas faça parte do plano, a aposta está na energia e nas habilidades de uma geração mais jovem de agricultores.

“Todos com quem conversamos sobre este projeto nos mostraram boas ideias e estratégias de investimento”, disse Borriello.

A lista completa dos lotes agrícolas à venda foi disponibilizada no site do banco, com as características específicas de cada lote.

Os participantes interessados em apresentar ofertas por um ou mais lotes agrícolas deverão registrá-las entre 27 de abril e 11 de junho.