Os produtores de azeitona da África do Sul sofrem com o calor, à medida que os incêndios florestais causam estragos
O setor olivícola da África do Sul deverá sofrer um duro golpe devido aos recentes incêndios florestais que assolam a região do Cabo Ocidental, onde se concentra a maior parte das olivais do país.
Há muito tempo, a África do Sul tem sido um participante pequeno, mas dinâmico, no mercado internacional de azeite. As condições atuais podem em breve afetar gravemente o setor, já que a produção de azeitonas na capital da produção de azeite do país (o Cabo Ocidental) começa a sofrer com a pior seca em mais de três décadas, trazendo consigo grave escassez de água e incêndios florestais devastadores.
A Província do Cabo Ocidental abriga mais de 90% das cerca de 1,6 milhão de oliveiras da África do Sul, com muitos dos 140 produtores do país estabelecendo-se na região para aproveitar o clima mediterrâneo da área, caracterizado por invernos frios e úmidos e verões quentes e secos.
Nos últimos meses, as temperaturas de verão dispararam na região e, com pouca expectativa de chuva, muitos reservatórios da área ficaram com menos da metade da capacidade e continuam a baixar. Estima-se que os moradores da Cidade do Cabo possam ficar sem água em questão de meses, e restrições rigorosas ao uso da água foram implementadas pelo governo.
De acordo com o Relatório de Inteligência do Mercado de Água de 2016 da organização sem fins lucrativos GreenCape, a maior parte da água da África do Sul é usada para irrigar as terras agrícolas do país. Embora os 11,5 milhões de hectares agrícolas da região do Cabo Ocidental representem apenas cerca de 12% das terras agrícolas disponíveis na África do Sul, eles são responsáveis pela produção de até 60% das exportações agrícolas do país, o que significa que o comércio exterior será o mais afetado pela seca.
Os agricultores não só precisam lidar com a escassez de água, mas, com o aumento das condições de calor e seca, os incêndios se tornaram outra preocupação. Com calor seco extremo e ventos fortes, mesmo os menores incêndios podem se espalhar rapidamente e sem aviso prévio.
Desde o início do mês passado, mais de mil bombeiros, voluntários e membros da Força de Defesa Nacional da África do Sul têm combatido dezenas de incêndios, espalhados por milhares de hectares de vegetação. Com a escassez de água, aeronaves de combate a incêndios estão usando água do oceano como medida extrema para combater as chamas.
Os incêndios causaram evacuações de emergência em muitas áreas residenciais do Cabo, afetando também gravemente o ambiente nativo da região. Muitas plantas, árvores e insetos nativos foram destruídos, assim como babuínos, tartarugas e cobras que vivem nas cadeias montanhosas da Península do Cabo e em seus arredores.
No que diz respeito ao cultivo de azeitonas, mesmo a menor perda em uma das propriedades maiores provavelmente terá um impacto significativo na colheita total de azeitonas da África do Sul, já que a área total dedicada à produção de azeitonas em escala nacional é de apenas cerca de 2.600 hectares, afirma Karien Bezuidenhout, gerente da SA Olive e da Cape Flora SA.
Atualmente, duas grandes propriedades do Cabo (a Buffet Olive Estate e a Morgenster Estate) relataram perdas significativas, com a Buffet perdendo mais de um terço de seus pomares devido aos incêndios.