O foco renovado na qualidade compensa para os produtores brasileiros no NYIOOC 2021

Os produtores brasileiros conquistaram um recorde de 18 prêmios no Concurso Mundial de Azeite, com 19 inscrições.

Parte de nossa cobertura especial contínua do Concurso Mundial de Azeite NYIOOC 2021.


Os produtores brasileiros tiveram um ano recorde no Concurso Mundial de Azeite NYIOOC 2021, conquistando um total de 18 prêmios em 19 inscrições.

Doze produtores da província de Rio Grande do Sul, na extremidade sul do país, e da região sudeste da Serra da Mantequeira conquistaram, juntos, 10 prêmios de ouro e oito de prata, ambos recordes para os brasileiros.

O desempenho impressionante dos produtores brasileiros ocorreu apesar de uma safra ruim em 2020, que viu a produção nas duas principais regiões produtoras de azeite de oliva cair drasticamente como resultado do mau tempo durante toda a colheita.

O Brasil produziu cerca de 140 toneladas de azeite em 2020, uma queda em relação às 230 toneladas do ano anterior. Apesar da queda na quantidade, Sandro Marques, autor de um guia completo sobre azeites brasileiros, disse ao Olive Oil Times que a qualidade do azeite continua a melhorar no Brasil.

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“Eu citaria três razões para a melhoria geral da qualidade”, disse ele. “O conhecimento sobre o manejo dos olivais está aumentando; moinhos que desenvolveram sólida expertise estão prestando consultoria a novos produtores, elevando a qualidade da extração; alguns produtores, mesmo que o cultivo de azeitonas seja uma atividade secundária para eles, têm dedicado muito tempo e esforço aos seus olivais, supervisionando de perto todos os aspectos, desde o preparo do solo até o engarrafamento do azeite.”

Entre os produtores que continuaram a desenvolver seus conhecimentos e experiência em manejo de olivais e moagem está Rafael Marchetti, CEO da Prosperato.

Rafael Marchetti

A maior empresa produtora de azeite do Brasil, localizada na região de Capaçava do Sul, no Rio Grande do Sul, conquistou dois prêmios de ouro no NYIOOC 2021.

“Ainda ficamos nervosos antes dos resultados”, disse Marchetti ao Olive Oil Times. “Mesmo sendo este o quinto ano em que participamos, nunca sabemos o que os jurados vão achar dos nossos azeites. Então, quando você vê sua garrafa com um selo dourado na tela, é muito emocionante e gratificante ao mesmo tempo.”

A Prosperato conquistou os dois prêmios de ouro por um blend premium e um Koroneiki médio, elevando para nove o total de medalhas da empresa na competição.

A Prosperato enviou aos concursos azeites produzidos no início de 2021. Marchetti atribuiu sua capacidade de iniciar a colheita no começo de março ao clima único da região.

“Somos também os primeiros a colher azeitonas verdes no Hemisfério Sul no início do ano, fornecendo azeites no auge de sua frescura para a competição”, disse ele. “Isso é algo novo para o mundo inteiro, que nunca teve azeite fresco de colheita precoce nesta época do ano.”

Foto: Rafael Marchetti

Para os produtores por trás da Prosperato, esses prêmios ajudaram a empresa a desenvolver e manter uma base de clientes fiéis, fornecendo a prova para respaldar suas afirmações de que seu azeite de oliva extravirgem está entre os melhores do mundo.

“Foi muito importante para nós mostrar aos nossos clientes no Brasil que, quando lhes dizíamos que nossos azeites não eram como os outros disponíveis aqui, estávamos realmente dizendo a verdade”, disse ele.

“Mais recentemente, desde os prêmios de 2019, isso também abriu as portas para que nosso azeite fosse para os Estados Unidos, o primeiro azeite brasileiro já exportado”, acrescentou. “Algo que é muito notável para nós e que ficará na história.”

Assim como em muitos outros cantos do mundo do azeite, Marques disse que o NYIOOC é muito respeitado pelos produtores brasileiros e está se tornando cada vez mais reconhecido pelos consumidores também. Essa combinação está fazendo com que um número crescente de brasileiros participe do concurso e comprove a qualidade de seus produtos.

“Para um país com pouca história no setor, é importante que nossos azeites sejam comparados e analisados ao lado dos países tradicionais produtores de azeite”, disse ele. “Isso mostra que estamos no caminho certo rumo à qualidade e à excelência.”

Depois da Prosperato, a Casa Mantiva foi outra das maiores vencedoras do Brasil, conquistando um Prêmio Ouro e um Prêmio Prata por um Koroneiki médio e um delicado, respectivamente.

Foto: Carlos Diniz

“Participamos do concurso porque o NYIOOC é uma forma de ter nosso trabalho e nosso terroir avaliados por especialistas de diferentes países”, disse o proprietário Carlos Diniz ao Olive Oil Times.

“Foi muito gratificante, pois enviamos dois azeites de nossa produção comercial e recebemos dois prêmios”, acrescentou. “Para nós, é um sinal de que estamos fazendo um bom trabalho, buscando obter a melhor expressão da oliveira em nossa região.”

A Casa Mantiva está situada nas montanhas da Serra da Mantiqueira, o que, segundo Diniz, torna a colheita um desafio particular a cada ano.

“Realizamos uma colheita manual, com a ajuda de trabalhadores”, disse Diniz. “A produção deste ano foi muito maior do que nos anos anteriores e, somada às restrições da pandemia, foi um grande desafio colher todas as azeitonas no ponto de maturação que consideramos adequado para azeites de alta qualidade. Os prêmios foram a prova de que conseguimos.”

Enquanto muitos produtores brasileiros participaram do NYIOOC para mais uma vez validar a qualidade de seu processo de produção, vários outros decidiram enviar amostras de seu azeite extravirgem pela primeira vez para avaliar seu posicionamento.

Entre os participantes estreantes estava Fernando Rotondo, o produtor por trás da Olivopampa, que conquistou um Prêmio de Prata por um blend médio de Arbequina.

Foto: Fernando Rotondo

“Esta foi nossa oitava colheita comercial e a sexta na produção do azeite Ouro de Santana Novello”, disse Rotondo ao Olive Oil Times. “Este conceito de produto surgiu de uma ideia que tivemos na Itália, quando participamos de um curso sobre olivicultura e avaliação sensorial. Queríamos saber como um azeite novo era percebido, sem filtragem.”

Depois de trabalhar na divisão de produtos agrícolas da Dow Chemicals em Milão, Rotondo se apaixonou pela olivicultura e obteve uma certificação na área pelo Instituto Andaluz de Pesquisa e Formação Agrícola (IFAPA).

Em 2008, ele voltou para o Brasil e comprou um terreno na fronteira sul do país com o Uruguai, onde começou a plantar principalmente oliveiras das variedades Arbequina e Manzanilla.

Rotondo disse que ficou feliz em ver que toda a paixão dele e de sua família valeu a pena na forma do Prêmio Prata. Ele espera que esse prêmio ajude a diferenciar seus azeites extravirgens dos azeites importados baratos e dos concorrentes locais.

“Estamos em um mercado relativamente novo, com muitos consumidores potenciais ainda por conquistar no setor de azeite”, disse ele. “Há muito trabalho a ser feito para educar o consumidor. O mercado está inundado de produtos importados de baixa qualidade e preço. Ainda há pouca percepção do valor da qualidade devido à falta de conhecimento.”

A Capolivo, outra pequena produtora familiar sediada no sul do Brasil, também participou e venceu no NYIOOC pela primeira vez este ano.

Foto: Joice Capoani

“Decidimos participar da competição este ano porque reconhecemos o quanto ela é importante e prestigiada e o quanto um reconhecimento desse nível significaria para nossa empresa”, disse Joice Capoani, diretora comercial da empresa, ao Olive Oil Times.

“Estamos muito lisonjeados por termos sido escolhidos entre tantos outros excelentes produtores”, acrescentou Capoani. “É uma grande honra receber este prêmio e é a prova viva da dedicação e seriedade que colocamos em nossa produção.”

A Capolivo conquistou o Prêmio Prata por seu azeite Koroneiki médio, que, segundo Capoani, se destaca dos concorrentes devido à capacidade da família de controlar cada etapa do processo, desde a colheita das azeitonas até o engarrafamento do azeite.

“Acreditamos muito na qualidade de nossos produtos e acompanhamos de perto o amor e o esforço em todos os processos envolvendo os azeites Capoivo, o que faz nossa empresa se destacar”, disse ela. “Estamos envolvidos na jornada de nossos produtos, desde o plantio até o envase do azeite, e acreditamos que esse compromisso e seriedade fazem a diferença.”

Capoani acrescentou que, apesar dos desafios logísticos criados pela pandemia da Covid-19 – um desafio citado pela maioria dos produtores entrevistados pelo Olive Oil Times durante a colheita anterior –, ganhar o Prêmio Prata fez com que os esforços extras para produzir com segurança e sucesso valessem a pena.

“O prêmio do NYIOOC traz mais reconhecimento à nossa marca e abre caminhos muito oportunos”, disse ela. “Tivemos mais uma confirmação da qualidade e excelência de nossos produtos, e isso nos motiva a melhorar cada vez mais e a sonhar mais alto.”

Como Marques mencionou, parte do que está impulsionando a revolução da qualidade no Brasil são os esforços renovados dos produtores, que não estão especificamente focados na produção de azeite, para criar produtos de alta qualidade.

Foto: Adriana Davo Valencia

A Vinícola Família Davo, que também está situada na Serra da Mantiqueira, foi um dos principais exemplos disso no NYIOOC 2021.

A empresa conquistou um Prêmio Prata por um delicado Arbequina em sua primeira colheita de azeite, o que emocionou imensamente os produtores por trás da vinícola familiar.

“A busca pela excelência faz parte dos valores da empresa fundada por José Afonso Davo, e participar de competições dessa magnitude só contribui para essa busca”, disse Adriana Davo Valencia, diretora administrativa da vinícola, ao Olive Oil Times.

A expansão da vinícola para o azeite faz parte de um esforço maior para produzir um portfólio mais diversificado de produtos de alta qualidade. Assim como para todos os outros produtores que participaram do NYIOOC este ano, o Prêmio Prata foi uma validação dos esforços da empresa e os orientou na direção certa para as colheitas futuras.

“Este prêmio é o resultado de muito esforço e da busca constante por oferecer os melhores produtos, elaborados a partir de técnicas rigorosas, inovação e muito amor pela terra e seus frutos”, disse ela. “O prêmio é recebido com grande alegria, e entendemos que faz parte de uma jornada que está sendo construída com muito conhecimento e dedicação.”