Dieta mediterrânea está associada a um risco 33% menor de depressão

Um novo estudo revelou mais evidências de que a qualidade da alimentação influencia a saúde mental.

Pesquisadores do Reino Unido, da Austrália e da Espanha investigaram a relação entre o risco de depressão e a adoção de uma dieta de alta qualidade, rica em alimentos vegetais, como a dieta mediterrânea (MedDiet). Eles descobriram que seguir rigorosamente esse plano alimentar pode reduzir substancialmente a probabilidade de desenvolver essa doença mental.

Há evidências convincentes de que existe uma relação entre a qualidade da sua alimentação e sua saúde mental. — Camille Lassale, University College London

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças relatam que 8,1% dos adultos americanos sofreram de depressão em um determinado período de duas semanas entre 2013 e 2016. Os sintomas incluem sono e apetite precários, bem como baixo astral e perda de interesse pela vida. Como a medicação é eficaz apenas em um terço dos casos, os pesquisadores acreditam que modificar fatores de risco, como a dieta, tem valor.
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“Há evidências convincentes de que existe uma relação entre a qualidade da alimentação e a saúde mental. Essa relação vai além do efeito da alimentação no tamanho corporal ou em outros aspectos da saúde que, por sua vez, podem afetar o humor”, disse a autora principal Camille Lassale, do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da University College London.

“Agregamos resultados de um grande número de estudos e há um padrão claro de que seguir uma dieta mais saudável, rica em vegetais e anti-inflamatória pode ajudar na prevenção da depressão.”

A pesquisa consistiu em uma revisão de 41 estudos. Destes, quatro envolveram uma avaliação da associação entre a adesão à Dieta Mediterrânea e a depressão em 36.556 adultos. Eles mostraram que as pessoas que seguiam rigorosamente o plano alimentar tinham um terço menos de probabilidade de desenvolver a doença mental do que aquelas que o seguiam menos. Além disso, o consumo de uma dieta pró-inflamatória com grandes quantidades de açúcar, alimentos processados e gordura saturada estava associado a um risco maior de depressão.

De acordo com os pesquisadores, seguir uma dieta que evita alimentos pró-inflamatórios e privilegia alimentos anti-inflamatórios ricos em vitaminas, minerais, polifenóis e fibras protege contra a depressão. Esse plano alimentar inclui frutas, vegetais, grãos integrais, azeite de oliva, legumes, nozes e peixes.

“Uma dieta pró-inflamatória pode induzir inflamação sistêmica, e isso pode aumentar diretamente o risco de depressão. Há também evidências emergentes que mostram que a relação entre o intestino e o cérebro desempenha um papel fundamental na saúde mental e que esse eixo é modulado por bactérias gastrointestinais, que podem ser modificadas pela nossa dieta”, explicou Lassale.

Em entrevista ao Olive Oil Times, Eugene Charles, quiroprático de Nova York, cinesiologista aplicado e autor de Antidotes for Indiscretions, falou sobre como aspectos da dieta afetam a depressão.

“A Dieta Mediterrânea é rica em fibras, que são prebióticos que alimentam as bactérias intestinais benéficas, promovendo assim o seu crescimento. Essas bactérias desempenham um papel na produção de neurotransmissores pelo corpo, especialmente serotonina e ácido gama-aminobutírico, ambos os quais elevam o humor”, observou Charles.

“Além da saúde intestinal, a dieta contribui de outras maneiras para ajudar a prevenir a depressão. Uma delas é que o cérebro é predominantemente composto de gordura; portanto, a gordura saudável do azeite de oliva e dos peixes gordurosos melhora a função cerebral. Há anos ensino meus pacientes a usar azeite de oliva no café para torná-lo uma bebida mais saudável, um elevador do humor e um excepcional ‘remédio natural’ para a depressão.”

Embora a conexão entre alimentos nutritivos e um menor risco de depressão tenha sido estabelecida, há necessidade de mais estudos de intervenção que avaliem como a melhoria da dieta pode beneficiar a saúde mental. O estudo foi publicado na revista Molecular Psychiatry.