Tratamento para mitigar o impacto da Xylella fastidiosa mostra-se promissor na Itália
Pesquisadores descobriram que um biocomplexo recentemente patenteado eliminou bactérias de três cepas de Xylella em árvores infectadas, ao mesmo tempo em que aumentou a resistência dessas árvores à doença.
Novas evidências confirmam que uma das ferramentas mais promissoras para combater a Xylella fastidiosa na Itália está dando resultados.
Como o novo tratamento, composto por zinco, cobre e ácido cítrico, demonstrou capacidade de mitigar os impactos do patógeno mortal da oliveira, um número crescente de agricultores na região produtora de azeitonas do sul da Apúlia está prestando atenção.
Quando aplicado regularmente às árvores, não só elas voltaram à sua produção normal, como as diferenças na resistência à Xylella entre as diferentes cultivares tenderam a diminuir.
Em um estudo publicado recentemente na revista científica Pathogens, uma equipe de pesquisadores avaliou os efeitos do biocomplexo patenteado tanto em campo quanto in vitro.
O composto provou ser eficaz contra três cepas de Xylella, incluindo a subespécie Pauca (Xfp), que se espalhou amplamente na Puglia.
Veja também: Atualizações sobre a Xylella FastidiosaO biocomplexo também demonstrou propriedades bactericidas nos experimentos in vitro, inibindo a formação de biofilme, essencial para o desenvolvimento das três cepas de Xylella testadas.
“Nosso artigo pode ser considerado uma continuação da pesquisa anterior sobre o composto patenteado”, disse Marco Scortichini, coautor do estudo e diretor de pesquisa do Centro de Oliveiras, Árvores Frutíferas e Citrinos do CREA (Conselho de Pesquisa Agrícola e Análise da Economia Agrícola).
“Após alguns anos de tratamentos constantes, tivemos que avaliar os resultados do nosso protocolo de coabitação com a Xylella”, disse ele ao Olive Oil Times.
Para estudar os efeitos da estratégia de controle, dois olivais nas áreas mais infectadas – a região de Salento, no sul da Apúlia – foram monitorados por três e quatro anos, respectivamente, utilizando-se o teste de diagnóstico molecular por PCR como principal ferramenta de avaliação.
Os pesquisadores avaliaram os sintomas no campo e as concentrações de DNA da Xfp nas árvores nas quais o biocomplexo foi utilizado. A estratégia do protocolo não visava erradicar a bactéria do território, o que não seria viável devido à capacidade da Xylella de se replicar em muitas plantas diferentes. Em vez disso, visava aumentar a resiliência das oliveiras após a infecção pelo patógeno vegetal.
“O protocolo prevê a aplicação de seis tratamentos nos olivais de março a setembro”, disse Scortichini. “Proteger as árvores com esse tipo de intervenção me lembra o que os viticultores fazem regularmente contra a requeima.”
O método de aplicação do biocomplexo também é bastante simples e requer que as árvores sejam pulverizadas com o produto, de forma semelhante ao que os agricultores fazem atualmente com muitos outros compostos agrícolas.
Os olivais monitorados incluíram 41 árvores de três cultivares diferentes – Leccino, Ogliarola salentina e Cellina di Nardò –, todas típicas do Salento.
“Quando aplicado regularmente nas árvores, não só elas voltaram à sua produção normal, como as diferenças na resiliência à Xylella entre as diferentes cultivares tenderam a minimizar-se”, disse Scortichini. “Os resultados das mais sensíveis à bactéria, Ogliarola e Cellina, aproximam-se da reação da Leccino, a mais resistente à Xfp.”
“O biocomplexo demonstrou suas qualidades de contenção mesmo quando diluído”, acrescentou ele. “Ele pode ser diluído na proporção de 1:100 sem perder sua eficácia.”
No entanto, nem todas as oliveiras podem ser tratadas. Os pesquisadores destacaram que o sucesso na contenção da Xylella depende da absorção sistêmica do biocomplexo. Para as oliveiras que já foram gravemente afetadas pela infecção, pode ser tarde demais.
“Para que o tratamento atual funcione, pelo menos 50 ou 60 por cento da copa deve estar intacta”, disse Scortichini.
Ainda assim, a natureza sistêmica do tratamento o torna interessante para testes futuros que os pesquisadores já planejaram.
“Graças a uma parceria com a empresa Invaio, programamos novos experimentos de campo a partir de março ou abril do ano que vem, se a atual pandemia de Covid-19 nos permitir operar na área”, disse Scortichini. “A ideia é usar uma máquina agrícola sanitária especial desenvolvida pela empresa suíço-americana para inocular uma dose específica do biocomplexo diretamente sob a camada cortical.”
O objetivo é ampliar o número de árvores que podem ser tratadas, contendo os custos da intervenção.
“Devemos conseguir trabalhar também nas plantas monumentais centenárias infectadas”, acrescentou Scortichini.
Outra área de aplicação do biocomplexo é no combate ao percevejo marrom marmorizado, cuja disseminação no norte da Itália causou danos extensos à agricultura local nos últimos anos.
“A equipe do professor Alberto Alma, da Universidade de Turim, descobriu que nosso biocomplexo pode ser pulverizado sobre os ovos dos insetos”, disse Scortichini. “Uma vez feito isso, há evidências de que o produto mata as bactérias simbióticas que fornecem proteínas vitais às larvas. Sem elas, as larvas morrem em 98% dos casos.”
Os resultados obtidos pelos primeiros agricultores a adotar o tratamento estão atraindo cada vez mais atenção de outros produtores da Apúlia.
“Estamos vendo agricultores aderindo nas províncias de Lecce, Taranto e Brindisi”, disse Scortichini. “Eles estão expandindo as áreas tratadas. Atualmente, estamos em cerca de 700 hectares e estamos vendo grandes empresas de azeite se aproximando [para saber mais sobre o tratamento].”