Produção global de azeite cai para o nível mais baixo em quatro anos
A Tunísia, a Itália, Portugal e a Argélia registraram as maiores quedas na produção. A redução nos rendimentos em grande parte do mundo foi parcialmente compensada por uma safra excepcional na Espanha e um bom ano em Marrocos.
Prevê-se que a produção mundial de azeite atinja 3.179.000 toneladas na atual safra, o menor total desde 2016/17, de acordo com dados preliminares do Conselho Oleícola Internacional (COI). No ano passado, a produção mundial foi de 3.207.000 toneladas.
A maior queda na produção ocorreu na Tunísia, que espera uma redução de 66% na produção este ano, com o rendimento caindo para 120.000 toneladas.
Veja também: Atualizações da colheita de 2020Uma combinação de fatores, como muitos produtores entrando em um ano de baixa produção, a falta de chuvas em momentos-chave do desenvolvimento da azeitona e práticas agronômicas inadequadas, contribuiu para a queda na produção.
A Itália sofreu um declínio acentuado, com a produção caindo 30% este ano.
O mau tempo na primavera, muitos produtores no sul do país entrando em um ano de baixa produção e o aumento das taxas de Xylella fastidiosa na Apúlia levaram ao declínio significativo da produção.
A Argélia e Portugal também estiveram entre os países com as maiores quedas na produção, com reduções de 29%. A Argélia deve produzir 89.500 toneladas e Portugal, cerca de 100.000 toneladas.
Mesmo com as quedas na Itália e em Portugal, bem como com reduções mais modestas na Grécia, em Chipre e na França, a produção de azeite na União Europeia cresceu 16%. Os oito países responsáveis por praticamente toda a produção de azeite do bloco produziram 2.232.800 toneladas — 7% a mais do que a média móvel de cinco anos.
Veja também: Painel de dados do setorA maior parte do aumento resultou de uma safra excepcional na Espanha, que, segundo estimativas do COI, produzirá 1.596.100 toneladas, o quarto maior rendimento já registrado no país.
No entanto, produtores do sul do país, região rica em olivais, afirmaram que a safra abundante ocorreu apesar de um ano de seca e dos desafios trazidos pela pandemia da Covid-19.
Aumentos muito pequenos na produção foram registrados na Croácia e na Eslovênia.
Fora da União Europeia, o único outro grande aumento na produção ocorreu no Marrocos. O país norte-africano deve produzir 160.000 toneladas de azeite este ano e atribuiu seu segundo maior rendimento já registrado aos recentes investimentos no plantio de novos olivais.
Outras quedas notáveis foram registradas na Palestina, que viu a produção cair quase 70%. A safra palestina de azeite de oliva caiu de um recorde de 39.500 toneladas em 2019/20 para 12.000 toneladas este ano, o menor total em mais de uma década.
A vizinha Jordânia também sofreu uma queda na produção, com seu próprio rendimento caindo para 25.000 toneladas após atingir um recorde de 34.500 toneladas no ano anterior.
Israel também viu sua produção cair, com a safra deste ano diminuindo em 42%, para atingir 11.000 toneladas, o nível mais baixo em uma década.
A Turquia também registrou uma ligeira queda na produção, com o rendimento caindo 7%, já que muitos produtores entraram em um ano de baixa produção e o mau tempo atingiu o oeste do país, região rica em azeite.
Apesar do declínio deste ano, a produção global de azeite continua em tendência de alta.