Em Minas Gerais, produção e turismo andam de mãos dadas

Entre as plantações de frutas e café de Minas Gerais, as oliveiras se enraizaram. Apesar do clima não convencional da região, os produtores locais estão criando um novo tipo de cultura de azeite no Brasil.

Mauricio Carvalho Dias, proprietário da Fazenda Irarema
6 março, 2020
Por Carola Dummer Medina
Mauricio Carvalho Dias, proprietário da Fazenda Irarema

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Ao lado das plantações de café e em meio à vegetação exuberante, as oliveiras marcaram presença em Minas Gerais, região do nordeste de São Paulo, Brasil.

Lutando contra o clima, mas com fé e perseverança, os produtores aqui apostaram na produção de azeite de alta qualidade e oleoturismo como forma de educar o público sobre seus produtos.

(O clima) é uma realidade que desanima muitos, mas para outros motiva a se reinventarem.- Ana Beloto

Tons de verde envolvem os visitantes que chegam à Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, três horas a leste de São Paulo, onde palmeiras se blendm com plantações de banana e café para cobrir as encostas. Há alguns anos, as oliveiras procuram e encontram o seu lugar neste ecossistema fértil e colorido.

Foi uma paisagem curiosa encontrar esta espécie tão associada a um clima mediterrâneo durante uma visita no mês passado, quando começou a colheita no Brasil - um dos mais novos atores no mundo da produção de azeite.

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Não encontramos nada parecido com os olivais do Mediterrâneo aqui. Minas Gerais é tudo menos tradicional, e sua olivicultura surpreende tanto quanto suas terras e seu povo.

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Como os Mineiros, como são conhecidos os habitantes da região, explicam, eles podem ter todas as quatro estações em duas horas, mas algumas coisas são constantes. Sempre haverá umidade, muita água, e que uma nuvem vá descarregar toda a sua fúria no meio da colheita é mais uma certeza do que uma possibilidade. Mas então o sol nasce, um arco-íris aparece e, bem, quem pode resistir a isso?

Serra da Mantiqueira, Brasil

Por isso esquecemos tudo o que sabemos sobre a oliveira - stress hídrico, oscilações térmicas, molduras de plantação - e deixamo-nos surpreender porque a verdade é que há cerca de 10 anos, os produtores desta zona - um dos terroirs mais famosos da o cultivo do café - começou a plantar oliveiras.

Já se passaram alguns anos desde então e os azeites produzidos na região ganhou terreno em competições internacionais.

Um produtor, Fazenda Irarema, que ganhou um prêmio de ouro em 2019 NYIOOC pelo seu loteamento, fica a 12 quilômetros de Poços de Caldas, região conhecida por seus solos vulcânicos e fontes termais que atraem grande número de turistas nos finais de semana.

Aqui, a família Carvalho Dias instalou-se há quarenta anos. Monica sonhava em morar perto de sua prima. No início, o marido dela, Maurício, insistiu que não havia nada para comprar ali, mas acabou cedendo e o casal chegou ao que seria seu novo lar.

Em fazenda, fundada em 1870, estava completamente abandonada há cinco anos quando chegaram. Hoje, é composto por campos bem cuidados e bem cuidados, onde se cultivam e se produzem frutas, verduras, nozes, um dos cafés mais premiados do mundo - e azeite de oliva.

A combinação da paisagem com o processo produtivo levou a família Carvalho Dias a abrir as portas de sua casa, que hoje recebe até 600 visitantes na Fazenda Irarema todos os finais de semana.

A experiência é completa, incluindo a chance de conhecer o processo agrícola e visitar a loja da fazenda onde são produzidos e vendidos sabonetes e outros cosméticos feitos com os azeites e seus derivados.

Ao lado da fazenda fica a Bemdita, açougue premium, produzida na área sob estrito cuidado e administrada por Carol, cujo marido, Moacir, filho de Monica e Maurício, dirige a fábrica de azeite, gerenciando cada máquina e controlando cada extração.

Moacir Carvalho Dias

Sua irmã trabalha no restaurante adjacente, onde os turistas degustam produtos locais combinados com azeites. Até os netos, a terceira geração, participam vendendo frutas que eles próprios coletam.

Maurício conhece cada centímetro do campo e pesa novos métodos e tecnologias para melhorar a produção e a qualidade da fruta; um verdadeiro desafio devido ao clima e abundância de pragas.

Vizinha de Irarema fica a Fazenda Rainha, onde se produz o famoso café Orfeu e, há alguns anos, também o azeite.

O projeto, propriedade da família Marinho que controla a gigante da mídia O'Globo, está em processo de lançamento de sua marca. Aqui, a colheita é feita em a maneira tradicional em terras que, além de incrivelmente verdes, também são montanhosas.

O custo de produção em Minas Gerais é alto, entre US $ 5 e US $ 6 o litro, e por isso os preços dos azeites também são altos.

Brasil produzido 230,000 litros em 2019, e 40% do total veio dessa região (os outros 60% foram produzidos no sul do país).

Em 2020, a produção na área será 30 por cento menor do que em 2019. Fungos e fortes tempestades de granizo na época de floração afetaram a colheita.

"É uma realidade que desanima muitos, mas para outros motiva a se reinventar, gerando experiências, como o oleoturismo, que são novas no Brasil e nos permitem criar um cultura de azeite”, Disse Ana Beloto, provadora, colunista e especialista em marketing, que há 18 anos apresenta marcas de azeites na região.

"Temos que avançar na educação para que as pessoas conheçam, valorizem e consumam bons azeites - um caminho que não é fácil, mas é totalmente possível ”, acrescentou.

A poucos quilômetros de distância, Carla Borriello, explicou que a produção mineira aponta para diferenciação. Já conseguiu introduzir seu azeite Borriello em alguns dos restaurantes mais importantes de São Paulo.

O problema dela não é vender o azeite, mas sim o pequeno volume que consegue obter - são esperados apenas 2,000 litros em 2020. Ela acredita que existem grandes oportunidades para os produtores de azeite no país, que apesar de terem um consumo per capita muito baixo ( menos de um litro), tem uma grande população urbana disposta a pagar pela qualidade.

Em um mercado dominado por marcas industriais de baixa qualidade, observou ela, há uma oportunidade de aproveitar a alta qualidade da produção local.


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