Consumo de azeite em queda entre os jovens espanhóis

Um novo relatório divulgado por uma universidade espanhola indicou que vários fatores estão contribuindo para a queda no consumo local e previu que este talvez não se recupere.

Um relatório divulgado recentemente por uma escola de negócios de Madri revelou que o consumo de azeite entre os jovens na Espanha continua em queda.

O relatório, publicado pela EAE Business School, atribuiu essa queda contínua às mudanças nos hábitos dos jovens, bem como aos preços que não voltaram aos níveis anteriores à crise financeira.

Agora eles cozinham menos e dependem mais de refeições pré-preparadas. Isso afasta os jovens da preparação de receitas típicas da dieta mediterrânea, na qual o azeite de oliva é um ingrediente básico. — Manuel Moñino, membro da Fundação Espanhola de Dietistas e Nutricionistas

Em 2008, um litro de azeite extravirgem custava € 2,47 (US$ 3,63). Esse preço subiu desde então para uma média de cerca de € 4,02 (US$ 4,62) em 2017, de acordo com o economista Mariano Íñigo, um dos autores do estudo.

Íñigo afirmou que esse aumento no preço está diretamente relacionado à queda no consumo de azeite de oliva, que passou de 425 milhões de litros em 2008 para 342 milhões de litros em 2017.

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“Os dados [que coletamos] mostram uma queda contínua no volume de azeite de oliva consumido nos lares da Espanha nos últimos 10 anos”, escreveu Íñigo no relatório.

Enquanto isso, o consumo aumentou nos países mais ricos do norte da Europa, no Leste Asiático e nos Estados Unidos, fatores que, segundo Íñigo, contribuíram para o aumento do valor do azeite de oliva extravirgem em todo o mundo.

Isso significa que, apesar da recuperação econômica da Espanha desde a crise financeira, os preços do azeite de oliva extravirgem não voltaram a cair, o que, segundo Manuel Parras, professor de marketing da Universidade de Jaén, está servindo como um impedimento para que os jovens comprem azeite de oliva.

“Nós, espanhóis, o vemos como um alimento básico, por isso somos sensíveis às variações de preço; se ele aumenta, consumimos menos”, disse Parras.

Íñigo escreveu no relatório da EAE que nem ele nem ninguém com quem conversou espera que os preços voltem a cair. Em vez disso, ele disse que espera que a crescente demanda global continue impulsionando os preços para cima, mesmo no mercado interno da Espanha.

“Levando em consideração que não se espera que o nível atual dos preços do azeite sofra qualquer queda, é mais provável, pelo contrário, que [eles aumentem]”, disse ele.

Esse fenômeno levou a uma mudança nos hábitos de compra entre os jovens espanhóis, muitos dos quais, segundo Gregorio Varela, professor de nutrição da Universidade San Pablo de Madri, agora levam mais em consideração o preço dos alimentos do que suas propriedades saudáveis.

Isso levou a uma diminuição no consumo de muitos componentes da dieta mediterrânea e a uma tendência de consumir mais alimentos embalados e processados. Os primeiros são mais caros do que os segundos.

Por sua vez, Manuel Moñino, membro da Fundação Espanhola de Dietistas e Nutricionistas, acredita que essa mentalidade, combinada com uma recuperação lenta dos salários após a crise financeira, levou a uma mudança geral na cultura dos jovens consumidores espanhóis.

“Agora eles cozinham menos e dependem mais de refeições pré-preparadas”, disse Moñino ao El País. “Isso afasta os jovens da preparação de receitas típicas da dieta mediterrânea, nas quais o azeite de oliva é um ingrediente básico.”

Dados coletados pelo Ministério da Saúde da Espanha também corroboram essa afirmação. De acordo com uma pesquisa recente realizada pelo Ministério, espanhóis com idades entre 17 e 39 anos relataram consumir, em média, 14 gramas de azeite de oliva por dia, e 14% dos entrevistados afirmaram não consumir nada.

Isso se compara aos entrevistados com idades entre 40 e 64 anos, que relataram consumir em média 17 gramas de azeite de oliva por dia, com menos de 10% relatando nenhum consumo de azeite.

Os recentes escândalos divulgados na mídia sobre azeite extravirgem falsamente rotulado também afetaram a percepção geral dos jovens espanhóis sobre o produto.

O Ministério da Agricultura da Andaluzia, a maior região produtora de azeite da Espanha, realizou recentemente uma pesquisa com espanhóis e descobriu que os jovens têm duas vezes mais chances de ficar insatisfeitos com o azeite que compram do que as pessoas com mais de 50 anos.

O relatório da EAE concluiu que, por enquanto, essa queda no consumo não prejudicaria as perspectivas econômicas do setor. Íñigo citou o aumento do consumo em novos mercados, bem como as safras ruins em todo o mundo do azeite, como motivos pelos quais as exportações espanholas seriam fortes e os produtores não deveriam se preocupar ainda.

No entanto, ele também concluiu que esse mesmo conjunto de circunstâncias continuaria a impulsionar os preços do azeite de oliva para cima e poderia perpetuar a tendência de queda no consumo espanhol.

“As estimativas para a campanha atual apontam que, como praticamente apenas o nosso país terá um aumento na produção, é previsível que as exportações espanholas também cresçam”, escreveu Íñigo. “Isso causará uma forte alta nos preços, de modo que não parece possível que ocorra uma recuperação do consumo interno.”



  • El País