“El Olivo” retrata o vínculo entre uma família espanhola e sua oliveira
Quando uma árvore de 2.000 anos é arrancada do solo e levada para a Alemanha, uma jovem luta para recuperá-la e ajudar a salvar seu avô.
A primeira coisa que um produtor de azeitonas provavelmente lhe dirá é há quantas gerações sua família cultiva a propriedade e a idade da árvore mais antiga. A maioria dos produtores também admite que está neste ramo por motivos mais importantes do que apenas ganhar dinheiro. Para muitos espanhóis, uma oliveira representa não apenas frutos, azeite e madeira; é suas raízes, sua herança e parte de sua alma. São também mais de 2.000 anos de história que muitos lutam para perpetuar.
No entanto, quando paisagistas de luxo e grandes empresas oferecem 12.000, 15.000 ou até 30.000 euros por uma árvore milenar, pode ser difícil recusar. Há bocas para alimentar e contas a pagar.
O roteirista Paul Leverty e a diretora de cinema Icíar Bollaín abordam esse dilema dos dias de hoje em “El Olivo” (A Oliveira), com estreia prevista nos cinemas espanhóis para 6 de maio.
O filme conta a comovente história de uma família de Castellón que enfrenta dificuldades econômicas e decide abandonar o negócio de azeite para abrir uma granja avícola. Quando a família opta por vender também sua oliveira de 2.000 anos para uma empresa de energia alemã, o avô retruca que a oliveira é sua vida. Arrancar a árvore é como tirar-lhe a vida. Apesar de seu apelo, a árvore é enviada para Düsseldorf e o avô deixa de falar e de comer.
Doze anos depois, sua neta de 20 anos, Alma (que significa “alma” em espanhol), decide que precisa recuperar a árvore para salvar o avô. É preciso sua determinação, juntamente com a ajuda do tio, de um colega de trabalho, de amigos e de toda a vila espanhola para encontrar a árvore.
Em uma entrevista na RTVE (Corporação Espanhola de Rádio e Televisão), a diretora, Icíar Bollaín, falou sobre o filme. Ela admitiu que não foi fácil encontrar o agricultor de oliveiras perfeito. Não há muitos atores com as mãos e o rosto de um homem que trabalhou em olivais a vida inteira. No entanto, assim que avistou o olivicultor, Manuel Cuccala, descendo de seu trator um dia, ela disse: “É ele”. Cuccala tinha pouca experiência como ator. No entanto, Bollaín observou: “Ele não teve nenhum problema em se identificar com o personagem. Há uma cena em que dizem que precisam vender a oliveira e ele fica muito emocionado porque realmente tem uma árvore da qual nunca poderia se separar”.
Na entrevista, a diretora também explica que não foi fácil criar a cena em que a árvore é arrancada. É claro que não podiam arrancar uma árvore de verdade, pois isso iria contra o que o filme defendia. A única solução foi construir uma réplica da árvore, um processo que levou seis meses.
Bollaín destaca que o conceito do filme pode ser extrapolado para muitas situações atuais na Espanha. Ela continuou dizendo que os espanhóis devem cuidar e valorizar suas comunidades, seu patrimônio e suas paisagens. Essas três coisas, no fim das contas, são o povo espanhol. Ao cuidar delas, cuidamos de nós mesmos.
A Catalunha e Valência já deram início a várias iniciativas, tanto populares quanto legais, com o objetivo de salvar oliveiras centenárias. Há um esforço crescente em toda a Espanha, especialmente na Andaluzia, para celebrar o patrimônio e a história da cultura da oliveira.
Com o lançamento de “El Olivo”, em 6 de maio, tanto o público espanhol quanto o internacional poderão se tornar mais conscientes do legado inestimável que foi plantado por mãos romanas e permanece profundamente enraizado no solo espanhol.
El Olivo
Produtora: Morena Films, The Match Factory, El Olivo la Película
Elenco: Javier Gutierrez, Anna Castillo, Pep Ambros, Manuel Cucala, Miguel Angel Aladren
Diretora: Iciar Bollain
Roteirista: Paul Laverty