Executivo preso no escândalo do óleo de cozinha em Taiwan

As autoridades afirmam que uma empresa de Taiwan misturou banha de porco e resíduos de cozinha nos óleos de cozinha que vendia para escolas e, muito provavelmente, para os mercados de exportação.

Wei Ying-chung (AFP)
Wei Ying-chung (AFP)

Mais um escândalo alimentar envolvendo óleo de cozinha levou à retirada do mercado de 68 marcas em Taiwan. Desta vez, a Wei Chuan Foods Corp., uma subsidiária do Ting Hsin International Group (maior fabricante de macarrão instantâneo da China), é acusada de misturar lotes de óleo de baixa qualidade para venda como óleo de cozinha.

Segundo relatos, parte do óleo foi obtida da Po Yuen Lard Company, em Yuen Long, que afirmou ter produzido o óleo a partir de restos de carne suína não vendidos em mercados de produtos agrícolas, vendidos posteriormente a fábricas de ração animal, empresas de biodiesel e de exportação. Esse óleo foi então misturado com “óleo de esgoto”, uma substância ilegal produzida a partir de resíduos de cozinha.

O presidente da Wei Chuan Foods Corp, Wei Ying-chung, foi interrogado em novembro de 2013 sob acusações de fraude e violação da segurança alimentar, mas foi libertado após pagar fiança de US$ 340.000. Os promotores suspeitavam que seu grupo empresarial tivesse obtido US$ 28,6 milhões em lucros ilegais.

A Wei Chuan também recolheu dezenas de milhares de garrafas de óleo de cozinha adulterado com um corante proibido em 2013.

Wei renunciou ao cargo de presidente da Wei Chuan Foods antes de sua prisão. Ele está detido durante a investigação.

O governo de Taiwan inicialmente garantiu a qualidade do óleo do Ting Hsin International Group, mas algumas irregularidades foram descobertas e relatadas aos investigadores em 18 de setembro.

Oito dias depois, a empresa foi obrigada a retirar os produtos adulterados. Essa notícia não foi divulgada, porém, porque o governo afirmou que os promotores haviam solicitado que a investigação permanecesse confidencial. Quando a notícia finalmente vazou nesta semana, as autoridades ordenaram a retirada imediata de todas as 68 marcas da empresa das prateleiras em todos os locais.

O Taipei Times informa que o óleo adulterado pode ter sido usado por 52 escolas e 363 empresas de alimentos em Taiwan, mas a Administração de Alimentos e Medicamentos de Taiwan não divulgou seus nomes. Agora, as autoridades locais estão investigando para onde os produtos adulterados também podem ter sido exportados.

As reações ao escândalo foram imediatas e de grande alcance: na China, começou um boicote contra o Ting Hsin International Group e a internet está fervilhando com a preocupação de muitos que temem que o óleo adulterado tenha sido usado em produtos exportados para seus próprios mercados. A preocupação deles é justificada. Taiwan absorve apenas uma parte da produção do Grupo Ting Hsin, e é provável que seus produtos estejam agora em outros países, especialmente na China.

Se condenado, Wei poderá ser sentenciado a até 15 anos de prisão, juntamente com vários executivos da empresa.