Novas leis de rotulagem da UE chegam bem a tempo para o “ano negro” do azeite
Por mais adverso que tenha sido o clima para as azeitonas, ele é perfeito para fraudes relacionadas ao azeite. As novas leis de rotulagem da UE visam ajudar os consumidores a saber exatamente o que estão comprando.
2014 FICARÁ CONHECIDO pelos produtores italianos de azeite como o “ano negro” — um ano particularmente ruim por várias razões — entre elas o fato de que o clima tem sido ótimo para a mosca da azeitona, e uma praga bacteriana que pareceu surgir do nada levou à destruição de centenas de milhares de árvores na Apúlia. Sem falar que a Espanha produzirá quase um milhão de toneladas a menos
do que no ano passado.
Leia bem o rótulo, especialmente as letras pequenas
A produção mundial de azeite deve cair 27%, colocando todo um setor agrícola em dificuldades.
Enquanto isso, como de costume, os preços do azeite italiano estão alcançando um bom preço, subindo 50% apenas no último mês, para quase €6 por litro.
Tudo isso também está contribuindo para uma situação difícil para os consumidores de azeite, à medida que os preços no varejo sobem e o clima, tão hostil quanto tem sido para as azeitonas, é propício para fraudes com azeite.
A associação agrícola italiana Coldiretti deu o alarme sobre uma “invasão de azeites estrangeiros”, com base nos dados do Istat referentes aos primeiros sete meses de 2014. “Se a tendência se mantiver”, disse o presidente da associação, Roberto Moncalvo, “a chegada de azeite estrangeiro à Itália atingirá um recorde histórico em 2014”, assim como as pressões para cometer fraudes com azeite. Incrivelmente, duas em cada três garrafas enchidas na Itália conterão azeite estrangeiro. “Leia bem o rótulo, especialmente as letras pequenas”, aconselhou ele.
Bem a tempo, os consumidores são lembrados de que, a partir de 13 de dezembro, entrarão em vigor novas leis da UE sobre rotulagem, que exigem informações mais transparentes nos rótulos.
As normas de comercialização da UE para o azeite, recentemente alteradas (Regulamento 29/2012), exigem o seguinte:
- As informações que devem constar na embalagem do azeite devem estar no campo de visão principal, em um corpo de texto uniforme. A UE espera que isso ponha fim a uma prática enganosa, às vezes observada, em que algumas informações, como a qualidade do azeite ou o país de origem, aparecem em fonte menor;
- O rótulo traseiro das garrafas de azeite deve indicar que elas devem ser armazenadas em local fresco e escuro. O objetivo é ajudar os consumidores a manter a qualidade do azeite por mais tempo;
- O ano da colheita só pode ser indicado no rótulo se todo o azeite for proveniente dessa colheita. Diz-se que isso permite aos consumidores garantir a frescura do produto;
- Os Estados-Membros da UE devem reforçar os controlos de conformidade — com base na análise de risco —, bem como as sanções, e enviar relatórios anuais mais detalhados à Comissão sobre esses controlos e os resultados.
O setor do azeite acolheu bem a notícia: “Sem dúvida, a obrigação de indicar a origem na parte da frente das garrafas de azeite extravirgem, o que antes era exigido apenas no verso do rótulo, é um passo em frente para a total transparência e a informação adequada ao consumidor”, afirmou a Assitol Federolio.
A rotulagem mais clara é vista como um passo na direção certa para os consumidores e uma forma de agregar valor neste momento difícil para os produtores.
Enquanto isso, os esforços de fiscalização estão sendo reforçados para combater o aumento esperado de azeites com rótulos falsos, incluindo aqueles que alegam ser produzidos na Itália e azeites de qualidade inferior rotulados como extravirgens.