O consumo exclusivo de azeite protege contra a doença arterial coronariana

Estudos apontam resultados promissores quanto a um efeito protetor contra a doença arterial coronariana associado ao consumo exclusivo de azeite de oliva.

A doença arterial coronariana (DAC) consiste no estreitamento das artérias coronárias e frequentemente leva à angina, ao infarto do miocárdio e à insuficiência cardíaca.

A dieta mediterrânea e o consumo de azeite de oliva, em média duas colheres de sopa por dia, têm sido apontados em estudos como tendo efeitos benéficos para as doenças cardiovasculares. Agora, mais especificamente, estudos estão mostrando alguns resultados promissores quanto a um efeito protetor contra a DAC.

Um estudo publicado na revista Public Health Nutrition revelou que, mesmo levando em conta a adesão à dieta mediterrânea, “o consumo exclusivo de azeite de oliva foi associado a uma probabilidade 37% menor de desenvolver doença arterial coronariana”.

Um estudo de caso-controle realizado entre 2006 e 2010, o Estudo Helênico de Interações entre Polimorfismos de Nucleotídeo Único e Alimentação na Suscetibilidade à Aterosclerose (THISEAS), incluiu 1.221 participantes com doença arterial coronariana e 1.344 controles.

O Conselho Botânico Americano relatou o estudo THISEAS, afirmando que “os pacientes do grupo de casos apresentavam síndrome coronariana aguda ou DAC com estenose > 50% em pelo menos um dos principais vasos coronários”. A pontuação MedDiet foi utilizada para avaliar a adesão à dieta mediterrânea e o consumo de azeite de oliva, com questionários adicionais relatando o consumo de gordura.

A probabilidade 37% menor de desenvolver DAC com o consumo exclusivo de azeite de oliva foi considerada “mediada por mudanças no estresse oxidativo, inflamação, peroxidação lipídica e perfil lipídico”, afirmou o Conselho.

Outro estudo publicado no Journal of Human Nutrition and Dietetics, o estudo observacional GREECS, corroborou os resultados do estudo THISEAS, mostrando que o uso exclusivo de azeite de oliva, seja como molho para salada ou na culinária, ajuda a reduzir a incidência de síndrome coronariana aguda (SCA) e episódios cardíacos recorrentes em pacientes cardíacos.

O estudo recrutou inicialmente 2.172 participantes com SCA, infarto agudo do miocárdio ou angina instável, e posteriormente realizou um acompanhamento de 10 anos em 1.918 pacientes. Os componentes da dieta foram registrados, incluindo a ingestão de gorduras adicionadas, como azeite de oliva, manteiga, margarina e óleos de sementes. O uso de gorduras no preparo diário de alimentos também foi registrado. Setenta e seis por cento do grupo consumiram exclusivamente azeite de oliva, enquanto os 24% restantes consumiram outras gorduras adicionadas.

De acordo com os autores do estudo, “Os desfechos estudados no acompanhamento de 10 anos foram eventos recorrentes de SCA fatais ou não fatais”.

Aqueles que consumiram outras gorduras adicionadas apresentaram um risco 40% maior de eventos recorrentes de SCA durante o período de acompanhamento. E, embora a pontuação da Dieta Mediterrânea fosse a mesma para ambos os grupos, a incidência de infarto agudo do miocárdio foi de apenas 58% no grupo que consumiu exclusivamente azeite de oliva, em comparação com 71% no grupo que consumiu outras gorduras adicionadas.

No entanto, esse resultado permaneceu significativo apenas em pacientes obesos. Os autores sugerem que o azeite de oliva pode reduzir a inflamação de baixo grau, que é bem conhecida por estar associada à obesidade. Já as outras gorduras adicionadas “ativam os mecanismos envolvidos na ocorrência de trombose, inflamação e oxidação”.

Como na maioria dos estudos, houve algumas limitações, incluindo a dependência de uma hipótese sobre os mecanismos pelos quais os efeitos positivos são exercidos, a falta de medição do nível de dano miocárdico, o fato de a quantidade exata de ingestão de gordura não ter sido registrada e o fato de a ingestão alimentar ter sido avaliada apenas no início do estudo, de modo que possíveis mudanças na dieta ao longo do tempo não foram levadas em consideração.

Ainda são necessárias mais pesquisas nessa área, mas os resultados combinados de ambos os estudos são promissores, mostrando que o consumo regular de azeite de oliva tem um efeito protetor contra a doença arterial coronariana.